– Sente direito, menina!
– Não fale palavrão!
– Isso são modos?
Não, meninas. Isso não é mais o bastante para sermos boas mocinhas. Para quem não teve esse tipo de “treinamento” ou para quem, como eu, precisa lembrar algumas regrinhas, é bom correr, porque os ensinamentos da mãe ou da vovó não são mais suficientes. Ser mulher está cada dia mais difícil.
Outro dia, vendo uma propaganda, em que a Débora Secco dá dicas de sedução, eu aprendi: “Peça para uma amiga contar quantas palavras você fala em um minuto. O ideal é ficar perto de 160. Muito abaixo, aumente o ritmo. Muito acima, tente desacelerar“. É sério? Alguém se habilita a contar quantas palavras eu falo em 60 segundos?
As lições para atingir a suposta perfeição, que vão fazer de você uma mulher bem sucedida, com um bom marido, filhos lindos, um corpão de dar inveja, pele de seda, cartão de crédito liberado, apelido de fruta e tempo pra ir ao shopping e ao cabeleireiro, estendem-se por vários capítulos: “Como parecer 10 anos mais jovem”, “Vista-se para seduzir”, “Como ser santa na rua e puta na cama”.
Posso confessar? Eu tenho medo. Eu tenho muito medo. Perdi o bonde da mulherzinha. Os tratamentos de beleza estão há anos-luz do meu conhecimento. Tenho preguiça de fazer a unha, porque ela sempre estraga quando vou dar banho no meu cachorro. E isso eu faço toda semana. Eu não gosto de bolsa. Tenho uma única e ela serve para todas as ocasiões. Acho horrorosas as Louis Vuitton, parecem coisa das minhas tias-avós. Meus sapatos se restringem a sete pares, contando duas rasteirinhas. Compro meu shampoo no supermercado. Faço minha depilação em casa com um creminho que não dói nada. Não passo maquiagem para trabalhar, nem batom. Isso permite que eu acorde mais tarde. Estimulação russa me parece algum tipo de tortura soviética. E que diabos é nude?
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segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010
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