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terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

A tal zona de conforto

O mês de janeiro foi uma surpresa para mim. Estaria de férias, mas acabei recebendo uma proposta para cobrir as férias de uma revisora em outra agência. Sorte grande, pensei, pois 2011 será um ano de muitas despesas e muitas alegrias! Aceitei sem pestanejar, e nem sabia o bem que isso iria me fazer ( só o financeiro, claro).

Quem me conhece sabe o quão sistemática eu sou, adoro uma boa rotina e só de pensar em sair dela, tenho calafrios... sério... comodismo puro, eu sei, mas nada tão grandioso que me impeça de trilhar novos rumos, quando necessário. Foi assim há 3 anos, quando deixei meu emprego de secretária para arriscar minha tão almejada carreira de revisora... formei-me em Letras e demorei quase 1 ano para conseguir uma oportunidade. Pedir demissão de um emprego quando seu pão e seu teto dependem dele não é fácil, mas há muito já me sentia infeliz exercendo uma profissão que não mais me acrescentava nada...então quando surgiu a chance de colocar em prática minha vida acadêmica, lá fui eu, morrendo de medo de dar errado, mas colocando toda a minha fé e esforço para que desse certo. E deu e continua dando. Amém.

Pois bem, em janeiro, senti algo muito parecido com isso. Nunca pensei que sair da minha zona de conforto me faria tão bem. E foi tão bom me sentir testada de novo, querer dar o máximo de mim trabalho após trabalho. Joguei meus medos fora, testei meus limites e tive a certeza de que posso fazer isso sempre que julgar necessário. Aprendi novas maneiras de revisar, conheci pessoas maravilhosas e, o melhor de tudo, senti-me reconhecida profissionalmente.

No meio da minha permanência na agência nova, pude matar as saudades de três amigas especiais. Três que fazem esse cincoetanto ser muitíssimo importante para mim. Apesar de bastante abandonado, este blog tem alma própria, o que essas mulheres colocam aqui tem uma verdade única, a verdade delas, a minha verdade, escrevemos como o coração e nos sentimos abraçadas com os comentários. Ju, Iza e Karine, mulheres com as quais aprendo sempre e entendo o que significa estar perto mesmo estando longe. Espero que este ano nossos encontros sejam mais frequentes e que sejamos sempre o que significamos uma para a outra: amizade, companheirismo e lealdade. Amo vocês.



Semana passada acabou meu período de substituição e voltei ao meu habitual trabalho, tive uma gostosa sensação de dever cumprido e de forças renovadas para enfrentar o novo ano! Quero que esse sentimento me acompanhe sempre.

Um beijo e até a próxima.

quarta-feira, 24 de março de 2010

Sobre espiritualidade

Já faz algum tempo que tenho me preocupado mais com a minha espiritualidade, sei lá, sinto falta de algo que me faça entender melhor as inquietudes sem fim que rondam minha alma. Hoje, chegando ao trabalho, uma colega me perguntou: “você é religiosa?”, respondi o de sempre: “acredito em Deus e me identifico bastante com o Espiritismo...”- ela queria que eu direcionasse orações à esposa de um colega nosso, que acabou de dar à luz uma menininha linda e encontra-se no CTI, por conta de problemas respiratórios – Eu respondi que “ia direcionar minhas energias positivas, sim!”. Essa conversa me fez voltar a pensar em resolver minha espiritualidade...certamente tenho muita afinidade com a doutrina espírita e acredito não ter mais por falta de me aprofundar e frequentar as reuniões. Sei que minha avó materna era espírita, devido a isso tenho lá em casa alguns livros que foram dela e que “herdei” da minha mãe, aliás além dos livros, herdei da mamãe a simpatia pelo espiritismo, sentimento que me acompanha desde sempre. Já li alguns deles, mas nunca senti-me como uma espírita completa, parece que falta algo...

Respeito as opções das pessoas em seguirem suas religiões, mas o exagero me incomoda, pessoas beatas demais ou aqueles “crentes do rabo quente”. Aliás, tenho pavor da religião católica e da lavagem cerebral que a igreja evangélica faz em seus discípulos, não sei como as pessoas podem se aproveitar da fraqueza das outras e tirarem vantagens altamente psicológicas e, pior, financeiras delas. Conheço pessoas que deixam faltar em casa para doar o tal do “dízimo” e, enquanto isso, os pastores estão por aí circulando em carros importados e comprando mansões mundo afora. Quanto ao catolicismo, o que me incomoda, além das monstruosidades e roubos cometidos ao longo da história, é a coisa dos dogmas, de não evoluir com a humanidade, de não perceber que seus fiéis precisam de uma verdade mais flexível e real.

Durante alguns anos após a morte da minha mãe, briguei com Deus, queria culpar alguém pela morte dela, e a minha imaturidade achou mais fácil transferir a minha raiva para ele. Achava bonito dizer às pessoas que não acreditava que pudesse existir um Deus que tirasse a vida de uma mulher tão boa e deixasse por aí vivendo tanta gente ruim. Claro, isso passou com o tempo e eu fiz “as pazes” com Deus, confesso que senti um certo alívio quando isso aconteceu. Com a morte dela ainda recente, lembro-me de tentar um “contato imediato” em algumas sessões espíritas, íamos eu e Karine, numa busca de respostas e de alívio à dor da perda de nossas mães ( acreditávamos que receberíamos um carta psicografada, ou algo assim ), claro que nem chegamos perto disso, mas, pelo menos, ainda tínhamos ( e temos ) uma a outra. A vivência da perda fica mais fácil quando temos alguém que nos importa e que está passando pela mesma coisa.

Semana passada soube do lançamento de um filme sobre a história de Chico Xavier, já sabia que já estava sendo filmado, mas não tinha ideia da estreia. Vi algumas entrevistas com o ator Nelson Xavier ( o qual tenho muita admiração pelo trabalho ) e me emocionei pela maneira com a qual ele descreveu o trabalho e a honra de viver Chico nos cinemas, além da forte emoção que o tomou desde que ele conheceu a vida do grande médium. A estreia nacional será em 2 de abril ( veja o site oficial do filme aqui), data em que ele completaria 100 anos, e eu estou verdadeiramente ansiosa por assistir. O filme é baseado no livro do jornalista Marcel Souto: “As vidas de Chico Xavier”, e ele ficou muito satisfeito com o resultado.




Apesar de ainda ficar meio perdida nas minhas crenças, espero me esforçar mais pela busca da minha espiritualidade e aliar isso ao que realmente acredito que seja um diferencial na formação de um mundo melhor: a família. Essa sim, sem demagogia, é capaz de fazer seres humanos melhores, que façam algo pelo próximo e cultivem a tolerância e o amor.