quinta-feira, 3 de junho de 2010

Eu te amo!


Eu nunca disse o quanto amei você. Ao contrário, fiquei calada e por vezes espanei o que estava sentindo. Medo de admitir que aquele amor era maior que eu e não cabia aqui dentro.

Eu também nunca disse o quanto desejei você. Os sonhos de uma vida ou de um amor adolescente. Ao contrário, fiquei em silêncio, sem esgostar todas as possibilidades de uma paixão para a vida toda, guardando sentimentos que deveriam ser vividos juntos, construídos juntos. Firmando e reafirmando as certezas de seguir em frente.

Eu pensava que o silêncio fosse dizer tudo o que sentia, de maneira delicada, sutil. Eu pensava que o silêncio, como um sopro, pudesse encurtar o tempo e trazer você de volta.

Preciso aprender a dizer.

"E hoje em dia, como é que se diz eu te amo?"

quinta-feira, 20 de maio de 2010

Eu não te avisei

Na plataforma, o casal chega apressado ao guichê, o embarque já encerrado. Aturdida, ela faz perguntas, cogita hipóteses, parece sentir-se culpada pelo atraso. Em vão: o trem já partira. Desapontada, ela o olha com olhos piedosos. Implacável, ele condena: Eu bem que avisei!

Perdi a conta, nessa minha vida, da infância à maturidade, das vezes em que também fui atingida por um “Eu bem que avisei!”. Cale-se, escute e ainda corra o risco de ser considerado o arrogante, que não deu ouvidos aos avisos, o desobediente.

Não vou dizer que não me irrita essa inapelável sentença. Você não precisa me enxergar para me julgar, mas precisa me enxergar para me entender.

Para esses, eu estou bem aqui na frente, mas insistem em não me ver. Tudo bem, cada um enxerga o que quer. O problema é quando sem ter ideia de como sou, o que faço, onde estou, resolvem dar a visão deles sobre mim. Embora isso não faça sentido, porque não me enxergam, certo?

Explicando melhor: preferiria que me esquecessem, mas até para poder esquecer teriam que me enxergar. Entenda, por favor, que não é o meu desejo, mas se você que me lê vier a errar, falhar ou fracassar – possibilidade muito remota, bem sei – não, eu não te avisei.

terça-feira, 18 de maio de 2010

Presente de aniversário

Bom...passada a tempestade que fez parte do meu inferno astral, respiro aliviada. Como disse a minha tia “essa era de Aquário não está sendo fácil”. Bem antes do meu sempre presente período nostálgico e melancólico pré-aniversário, veio a história da Bárbara, por quem tenho um amor de mãe, pois vi nascer, vi o primeiro sorriso, a primeira febre, os primeiros passos... Bárbara hoje está com 18 anos, o que significa que quando ela nasceu eu tinha 14 e a mãe dela ( minha prima ) 15. Dá para imaginar a revolução que foi isso em nossa família? E no hipócrita colégio de freira em que estudávamos? Minha prima Carolina é a mulher mais corajosa que conheço, enfrentou o mundo aos 15 anos por sua Bárbara. Não é a toa que deu esse nome à sua menininha: um nome forte, de guerreira. E, nestes últimos dias, essa menininha mostrou a força bárbara que traz em suas veias, e fez uma verdadeira guerra para continuar viva. Explico melhor: há cerca de 20 dias, minha prima levou sua filha ao Hospital Biocor com forte dor de cabeça e vômito, eles a internaram e fizeram vários exames para tentar descobrir a causa dos sintomas. Sugeriram dengue, virose, rota-vírus, e, mesmo contra as justificativas de minha prima, sugeriram até que ela levasse sua filha para se recuperar em casa. Porém, Bárbara não melhorava, os sintomas pioravam, a febre não cedia, apareceu uma taquicardia... resolveram levar o quadro da menina a sério e fizeram ultrassons: descobriram que ela estava com uma alteração estranha no fígado. Não era de se assustar? Mais piora, e aí 2 dias depois resolveram fazer um exame muito “sofisticado”, que acredito qualquer leigo no assunto já teria feito: um exame de urina – bingo!- a menina estava com uma infecção urinária. Como não foi detectada no prazo certo, essa infecção bacteriana tomou uma dimensão enorme. E então resolveram fazer um teste de sangue chamado PCR, o qual detecta uma proteína responsável por infecções e que, o máximo permitido para um ser humano tolerá-la seria 6, o teste de Bárbara acusou 360!! Correria: levaram a menina para o CTI com os 2 pulmões infiltrados e a bactéria espalhando-se pelo seu organismo por meio dos rins. O estado dela era gravíssimo, finalmente o Biocor colocou à disposição dela médicos competentes, entre eles o dr. Ivan, um médico excepcional que acompanhou Bárbara até que ela se recuperasse. Foram 4 dias no CTI e mais 9 (contando com a entrada dela no hospital) internada para que ela recebesse alta. No meio disso tudo, o sistema de saúde brasileiro mostrou sua falência, mesmo com plano de saúde particular, não havia apartamento disponível e minha prima teve que rodar a baiana para que depois do CTI ela fosse para um quarto, queriam deixar ela lá por mais tempo sem necessidade. Já não havia sido traumático demais? Nós, familiares, perdemos o sono, a tranqüilidade e só respiramos aliviados no dia em que ela recebeu alta. Minha prima quase surtou de tanto desespero. Eu, de longe, não queria acreditar que aquilo estava acontecendo. Bárbara é nossa 3ª geração, sempre foi para mim, símbolo do sonho de ser mãe e meu primeiro amor. Tenho por ela um amor sem tamanho, sempre brincava dizendo a ela que “odiava ser apenas sua prima de 2º grau”. Ela sabe que para mim ela é muito mais que isso. Hoje, fica o susto e a dor do que passamos, mas fica também o orgulho por uma menina que lutou contra uma poderosa bactéria, que pouco antes havia matado uma jovem nesse mesmo hospital. Tenho que corrigir o que disse antes: a mãe dela não é a mulher mais corajosa que conheço, ela e sua filha são as mulheres mais corajosas que conheço.

E, assim, o meu maior presente de aniversário foi vê-la sentada e sorrindo, brindando os meus 32 anos!

Até a próxima!

segunda-feira, 26 de abril de 2010

Sem a tua companhia

“A minha alma chorou tanto
que de pranto esta vazia
Desde o dia em que fiquei
sem a tua companhia”

Na sua companhia, ela já viveu as mais diversas situações: em algumas, foram momentos de intensa alegria, nos quais, como crianças, se julgaram eternos, e outras, de grande aflição, quando quase chegaram a pensar, devido a tanta dor e sofrimento, que nada mais valia a pena.
Mas que ele, sempre forte, conseguiu dominar e dar a volta por cima, pois sabe que a vida, independente das peças que possa nos pegar, foi feita para ser vivida. Entregar o ouro para o bandido, jamais, e ele – tão especial que é – sabe que esta é uma verdade maior. Não é à toa que os seus olhos, castanho-claros, e belos, sempre miram adiante, muito adiante, mesmo que nuvens escuras, vez ou outra, possam surgir no horizonte.
Ela procura nas pessoas com as quais convive, nas que cruzam o seu caminho e perguntam por ele, mas nada preenche o vazio. Na imaginação, no corpo e na mente, o rosto dela olha pra ele e lhe faz companhia. É a presença que se sente, mas não se pode tocar e é compensada, substituída, completada, pela certeza de que ele vai voltar.

segunda-feira, 19 de abril de 2010

‘Tanta criança passando fome e...’



Já ouvi esta frase dezenas ou centenas de vezes, de gente incomodada com protestos pró-libertação animal, e até mesmo os conhecidos que atuam na proteção animal já me relataram ter ouvido esse mantra boca-suja à exaustão. Qualquer movimento, ação ou preocupação com os animais, gera em determinadas pessoas a pergunta ‘mas com tanta criança passando fome, vocês aí ________?’.

Eu ouço uma pergunta diferente nesses casos; da boca da pessoa sai a frase acima, porém a tradução é ‘mas com tanta criança passando fome, vocês aí que fazem coisas, que gastam dinheiro do próprio bolso, que sacrificam horas e dias de repouso, que esquentam a cabeça e se preocupam em resolver aquilo que nós, maioria, apenas passamos os olhos com indiferença, destinaram todo esse esforço voluntário justamente pros animais?’. Quem sempre tem uma opinião na ponta da língua, não é a mesma que faz doações regulares a entidades beneficentes, que vai uma vez por semana fazer leitura para cegos, que vai conversar com um morador de rua para tentar dar uma ajuda, que sacrifica um dia besta na frente da televisão para se voluntariar como instrutor em oficinas profissionalizantes, ou arrecadar um computador seminovo entre conhecidos e enviar a algum lugar que necessite.

São pessoas diferentes, embora alguns esperneiem para dizer que, sim, eles são os bons samaritanos de primeira hora, de raiz, e cospem em quem levanta dúvida sobre sua incapacidade de levantar a bunda da poltrona para alterar, em 0,00001%, a realidade lá fora. A realidade que passa de relance nos noticiários.

Acredito sinceramente que as crianças que passam fome infelizmente estão à mercê da grande maioria das pessoas, cuja indignação e empatia duram somente o tempo dos intervalos comerciais, ou o tempo de leitura de algum e-mail apelativo recebido de conhecidos. Porque parece que nós, ativistas pró-animais, e protetores e defensores, estamos somente enxugando gelo, enquanto o céu desaba lá fora – realidade detectada somente pelos que tudo criticam, mas pouco fazem.

Nós, ‘trololós das ideias’, estamos perdendo nosso tempo – e o tempo deles – com conversas e atividades envolvendo cachorros, vacas, porcos e até animais que nunca veremos, como focas no Canadá, golfinhos no Japão, animais fofos na China e ratos brancos em laboratórios.

Eles, não.

Eles enchem a boca para criticar as protetoras dondocas, que nada têm a fazer, então correm atrás de cachorros pelas ruas, que saem alimentando gatos, que brigam com carroceiros malvados etc. Eles, com orgulho, apontam todas as falhas de razão que os veganos têm, suas preocupações e soluções bobas, já que não há mal nenhum em um bom bife, necessário à saúde e que, convenhamos, não tem nada a ver com imagens sangrentas e agressivas que povoam o Orkut e sites de gente que usa camiseta preta.

Mas as crianças continuam a passar fome, a despeito dessa maioria que, transbordando um bom-senso que eu não terei em vida, pesa melhor os problemas que aí estão. Tal como as promessas de muitos candidatos a cargos políticos, basta abraçar os problemas na hora da fotografia, e o remorso passa em instantes.

A indiferença resume a ética dessa brava gente brasileira.

A indignação só vale para a conversa rasteira com o motorista do táxi, xingando o governo e ‘a ladroagem’, mas o ritmo de vida não muda, o que só depende da própria pessoa. Foi-se o tempo em que era necessário encaixar-se nos moldes, nas oportunidades fornecidas por terceiros, nas vagas a autômatos. Quem quiser arregaçar as mangas, terá um mundo inteiro, lá fora, aguardando e precisando de sua boa vontade e culhão. Não é fácil, pois se escolher a problemática A, o pessoal dos camarotes vai comentar que o certo seria atacar a problemática B, e assim por diante.

Mas essa maioria ainda não se deu conta de que o voyeur não faz nem participa, contenta-se em olhar para o que os outros estão fazendo, com prazer. Como o ativismo pró-libertação animal, gostem ou não.

Vanguarda Abolicionista - Marcio de Almeida Bueno
Publicado em http://www.anda.jor.br

domingo, 4 de abril de 2010

Ora, pois!

Portugal sempre foi um bom motivo para me debruçar em livros de história. Assim como qualquer outro país ou qualquer livro de história. Mas, realmente, nunca pensei que um dia fosse conhecer as terras lusitanas.

Foi meio que de repente. Planejava um descanso no final do ano em Salvador quando, em novembro, meu irmão me liga dizendo: vamos para Portugal? "Ai, Jesus!", pensei. Mas, em seguida disse que topava o convite.

Troquei o sol escaldante das praias nordestinas pelo restinho de frio gostoso e charmoso que fazia na Europa no início da primavera de lá. E de lá pra cá, fechei a torneira com os gastos bobos. Afinal, era uma viagem para Portugal.

Muitos podem dizer: Portugal é a porta de entrada para a Europa. Pois. Que digam! Dizem isso por puro despeito, acredito. Tá certo que cada país tem suas belezas e seus problemas. Mas problema na Europa tem lá seu charme.
Portugal é fascinante. Todo brasileiro deveria conhecer este país. Foram 12 dias de encantamento. Cada cidade uma história. Cada história um descobrimento.
Até a maria-sem-vergonha, aquele matinho chato, possui uma cor linda e enfeita as estradas e plantações!

Eu começo em Lisboa. Mais precisamente na Pça Marquês de Pombal, Hotel Avis. O hotel que hospedou nomes como Sinatra, Maria Callas, Ava Gadner é simplesmente um luxo. Minha cama cabia umas 13 pessoas, sem exagero. No café da manhã, pães, pastéis de nata, frutas, chás variados, café bem forte e champagne. Isso mesmo, champagne. Mas não tomei. Achei muito esnobe.

O primeiro dia de passeio começou logo na chegada. De metrô, fomos até o bairro Oriente. Uma região moderna às margens do rio Tejo. Visitamos um aquário que contém espécies de todos os oceanos. Perfeito!

No dia seguinte, Belém. Pegamos um ônibus de turismo e fomos visitar a famosa Torre de Belém, o Monumento das Grandes Navegações e o Mosteiro de São Jerônimo. Simplesmente encantador.

No segundo dia, alugamos um carro que só largamos no último dia e partimos para o litoral. As estradas são perfeitas. Pistas triplas, conservadas e as plantações de parreira eram nossa companhia durante toda a paisagem.
Cascais. Cidade cosmopolita e charmosa. Que faz um calorzinho convidativo para um passeio na orla. Mas nem ouse colocar os pés na água. Gelado. Ainda.
Foi nessa cidade que comemos o melhor prato da viagem. O restaurante se chama Casa Velha e o prato é um carril (um peixe que nunca ouvi falar) com legumes. Para acompanhar, um belíssimo vinho verde.

Come-se muito bem em Portugal. É uma comida saudável. Eu, por exemplo, coloquei meu ômega 3 em dia com tanto peixe saboroso, frutos do mar e camarões. Para limpar as artérias, vinho. Foram 12 garrafas liquidadas por três pessoas (eu, Eduardo e minha cunhada Maria Elisa). É claro que a gente acaba sentindo falta de um arroz ou de um feijão. Mas o sangue fidalgo que tenho certeza que corre nas minhas veias nem parou para pensar nisso.
Voltemos ao passeio.

De Cascais fomos para Sintra. Uma cidade no alto de uma montanha que tem como atração turística o Parque da Pena. Nesse lugar, castelos dos mouros, um parque com matas lindas e o Palácio da Pena, a última residência do Rei de Portugal. Ao chegar em Sintra, um nevoeiro tomou conta da paisagem e a temperatura caiu bastante. Bom, né? A paisagem ficou bucólica e ao mesmo tempo misteriosa.

No dia seguinte, debaixo de chuva, fomos para Ourém. A cidade mais conhecida como Fátima. O santuário é enorme e não tem quem não se emocione naquele lugar. Em todas as cidades vi pombos cinzas. Em Fátima, os pombos são brancos. Vai entender.
Preces e orações feitas seguimos para Batalha.

Batalha é a cidade onde estão enterrados os reis da dinastia Avis. Essa dinastia foi muito importante para o mundo, pois foi nela que deram início as Grandes Navegações. O Mosteiro de Santa Maria da Vitória é um caso a parte. Cada coluna do pátio do mosteiro tem um desenho diferente. E possui uma parte chamada Capelas Imperfeitas que de imperfeito não tem nada. Na verdade, elas não foram terminadas. O rei da época e o arquiteto que fez o mosteiro morreram no mesmo ano e o teto da capela ficou inacabado, sem cobertura.

O quarto dia foi um passeio a cidade de Óbidos. Um castelo feudal belíssimo. Na história, Portugal foi o último Estado da Europa a se transformar em reino, acabando com o famoso sistema feudal da Idade Média. Aquele sistema que só possuía 3 castas: senhor feudal, clero e servos. Óbidos é bastante preservada. Pelos muros da cidade, você faz um belo passeio e ganha imagens lindas. Hoje, no castelo do feudo funciona uma pousada.

Ao cair a tarde, seguimos para Lisboa, atravessamos a ponte Vasco da Gama (lá, tudo é Vasco da Gama. Cabral é um mero subcoadjuvante) que tem 16km de extensão e fomos para a cidade de Alcochete para deliciarmos em um shopping outlet. Grandes marcas por preços mínimos. Mas haja paciência para garimpar a melhor roupa e o melhor calçado por preços baixos.

No dia seguinte, bem cedo, seguimos para a cidade de Porto, segunda maior cidade de Portugal, mais ao norte do país.
Porto é mais preservada que Lisboa porque não sofreu terremotos que destruíram a capital. A cidade é banhada pelo rio Douro. Aquele que carrega fama de rio dos vinhos. E faz jus à fama que tem.

Para mim, a vista mais bonita da viagem foi o passeio que fizemos em Gaia, cidade que fica do outro lado da margem do Douro. Gaia tem a vista mais linda do mundo: as construções de Porto. Eu não queria piscar os olhos naquele momento para não perder um lance das imagens e gravá-las lá no hipocampo, pra sempre.

Nos dias seguintes, pegamos estrada no sentido Norte e fomos para Guimarães – lugar onde Portugal nasceu e de onde vem a família real brasileira (a dinastia de Bragança). Guimarães é chique, as pessoas são chiques, as construções são chiques, a lixeira da rua é chique.
Não podíamos visitar esta cidade apenas uma vez. Então, dois dias depois, já em nossos últimos suspiros europeus, retornamos à cidade para um delicioso passeio de teleférico.

Entre os dias de Guimarães e a volta a Guimarães, passamos por Viana do Castelo. Viana recebe mais influência espanhola. Estávamos a mais ou menos 60km de Valença.
Viana do Castelo é um balneário. No verão a cidade recebe turistas de vários países da Europa e como eu já me incluo nessa União Européia estou até pensando em largar um pouco as praias do Sul da Bahia para veranear em Viana do Castelo.

De Viana do Castelo para Porto. De Porto para Lisboa. De Lisboa para Belo Horizonte.
De volta à realidade na Terra Brasilis, sou recebida por um bafo de calor em pleno outono belorizontino. Chego em casa e me deparo com uma humilde cama de solteiro e na geladeira, meio vidro de água. Mas aí a gente faz o jogo do contente da queridíssima Poliana: o barato dessa história é saber que Portugal, assim como qualquer outro destino, estará sempre à sua espera. Basta parcelar a passagem em várias prestações, cortar os gastos em botecos no fim de semana e fazer as malas.

Nota 10 para:
_As rádios locais que tinham uma programação perfeita;
_O vinho Quinta da Soalheira. O melhor de toda a viagem;
_O almoço de Cascais e a sobremesa também;
_Os pastéis de nata de qualquer lugar de Portugal;
_As lindas estradas (o pouco que vi porque caía no sono antes do carro sair da garagem);
_Os hotéis: Avis (Lisboa) e Eurostar (Porto);
_As liquidações;
_Guimarães;
_Para meus companheiros de viagem Duda e Isa (presente perfeito!)

terça-feira, 30 de março de 2010

Eu, eu mesma e meu silêncio



Na semana passada, dei de presente para o maridón a camiseta aí da foto. Muito mais porque achei divertida, do que para confessar a minha conflituosa relação com o silêncio. Eu nunca achei que ser mulher fosse vantagem ou desvantagem, mas me interesso e acho até divertido o tema diferenças de gênero. E a nossa relação com o silêncio com certeza é um ponto.

Em geral somos mais rumorosas. Fomos premiadas com um cérebro labiríntico. Falamos em entrelinhas, achamos duplos sentidos para tudo. E, ao que parece, nos acostumamos com esse diálogo contínuo. Já contei aqui que na falta de uma boa companhia, eu converso sozinha sem nenhum pudor. Para nós, ou a maioria das mulheres, o silêncio é visto com negativa, como falta de assunto, como certo mal-estar. Perguntar aos homens porque estão em silêncio, ou tão quietos, ou se tem algum problema, é uma estratégia de dominação ensaiada por nós há milênios, sem qualquer sucesso.

A verdade é que mulher é mais chegada a uma conversa de bar do que os homens. Mas quando a gente se reúne em torno de uma cervejinha, os assuntos são bem diferentes. A gente não discute por que o Cruzeiro perdeu um campeonato ganho, nem a incrível comissão de frente daquela garota da outra mesa. A gente discute, entre outras coisas, “por que a gente é assim”. Afinal de contas, não são só os homens que não nos entendem. A gente também não!

O fato é que essa camiseta talvez tenha me levado a fazer algumas reflexões e a repensar minha relação com essa ausência da fala. Acho que vou ligar pra alguma amiga.