quarta-feira, 1 de junho de 2011

Amores Possíveis


Estamos às vésperas do polêmico Dia dos Namorados. Nem tão polêmica a data é, mas visto que ela é amada e odiada na mesma medida, por pessoas dos mais diversos estados civis, deve ser fonte de alegria e sofrimento para muita gente.
Confesso que dou de ombros. Sempre achei a data uma besteira. Como acho quase todas as datas comemorativas. Sim, ela é comercial, produto do capitalismo, blá, blá, blá. Mas nem é por isso. Nunca fui de esquerda, nem de direita. Sou mais de centro (mas nunca em cima do muro).
Minha pirraça com as datas vem dos shoppings cheios, estacionamentos lotados e da correria maluca que torna o que deveria ser prazer em uma obrigação.
Pra completar ainda encontrei na pessoa que mudou meu status conjugal de solteiríssima para casadíssima um apoiador da idéia: “datas são para os fracos". Sempre presenteamos e brindamos muitas coisas, mas não seguimos calendário.
Todo esse mimimi foi pra dizer nas minhas andanças pelo Twitter encontrei o blog do poeta Fabrício Carpinejar. http://carpinejar.blogspot.com/. Que recomendo a todos. Então, vez ou outra, passo por lá pra ver o que ele tá arrumando. Na minha ultima visita achei um post que é uma ode ao relacionamento possível. Ele diz a mais pura verdade: o amor é uma injustiça.
E eu completo: por isso eles (os relacionamentos) devem ser festejados sempre. Pois é um mistério como uma coisa construída em cima da renúncia, pode fazer a gente tão feliz, mesmo que não seja o tempo todo. Feliz Dia (possível) dos Namorados!

Segue:

INJUSTIÇA

— Não confie na frase de sua avó, de sua mãe, de sua irmã de que um dia encontrará um homem que você merece.
Não existe justiça no amor.
O amor não é censo, não é matemática, não é senso de medida, não é socialismo.
É o mais completo desequilíbrio. Ama-se logo quem a gente odiava, quem a gente provocava, quem a gente debochava. Exatamente o nosso avesso, o nosso contrário, a nossa negação.
O amor não é democrático, não é optar e gostar, não é promoção, não é prêmio de bom comportamento.
O melhor para você é o pior. Aquele que você escolhe infelizmente não tem química, não dura nem uma hora. O pior para você é o melhor. Aquele de quem você procura distância é que se aproxima e não larga sua boca.
Amor é engolir de volta os conselhos dados às amigas.
É viver em crise: ou por não merecer a companhia ou por não se merecer.
Amor é ironia. Largará tudo — profissão, cidade, família — e não será suficiente. Aceitará tudo — filhos problemáticos, horários quebrados, ex histérica — e não será suficiente.
Não se apaixonará pela pessoa ideal, mas por aquela que não conseguirá se separar. A convivência é apenas o fracasso da despedida. O beijo é apenas a incompetência do aceno.
Amar talvez seja surdez, um dos dois não foi embora, só isso; ele não ouviu o fora e ficou parado, besta, ouvindo seus olhos.
Amor é contravenção. Buscará um terrorista somente para você. Pedirá exclusividade, vida secreta, pacto de sangue, esconderijo no quarto. Apagará o mundo dele, terá inveja de suas velhas amizades, de suas novas amizades, cerceará o sujeito com perguntas, ameaçará o sujeito com gentilezas, reclamará por mais espaço quando ele já loteou o invisível.
Ninguém que ama percebe que exige demais; afirmará que ainda é pouco, afirmará que a cobrança é necessária. Deseja-se desculpa a qualquer momento, perdão a qualquer ruído.
Amar não tem igualdade, é populismo, é assistencialismo, é querer ser beneficiado acima de todos, é ser corrompido pela predileção, corroído pelo favoritismo. É não fazer outra coisa senão esperar algum mimo, algum abraço, algum sentido.
Amor não tem saída: reclama-se da rotina ou quando ele está diferente. É censura (Por que você falou aquilo?), é ditadura (Você não devia ter feito aquilo!). É discutir a noite inteira para corrigir uma palavra áspera, discutir metade da manhã até estacionar o silêncio.
Amor é uma injustiça, minha filha. Uma monstruosidade.
Você mentirá várias vezes que nunca amará ele de novo e sempre amará, absolutamente porque não tem nenhum controle sobre o amor.

sábado, 16 de abril de 2011

Meu epitáfio (só por garantia)

Nunca tive medo da morte. Também não faço a menor ideia do quê e de quem me aguarda do outro lado de lá. Será que poderei falar no dia do juízo? Por via das dúvidas, caso não seja permitida a palavra para qualquer justificativa ou defesa; argumentação ou agradecimento, fica aqui a escrita do meu epitáfio (só por garantia). Para os que ficam e para os que já me aguardam, deixo a seguinte mensagem: Sim. Pode não paracer mas achei a vida gozada, hilariante e bonita de se viver, apesar das rasteiras que ela me deu. Eu tive humor e muitas e muitas vezes sorri para ela. Não. Não é preciso falar "eu perdoou você" para perdoar alguém. Eu consegui essa proeza aprendendo a conviver, amadurecendo. Perdoar não é falar em perdão. Perdoar é conviver com o perdão e com a culpa e com o erro e com quem julga e é julgado. Eu tive a melhor família do mundo. Tive irmãos maravilhosos, amigos e acolhedores, que deram um duro danado para me compreender. Eu tive um pai zeloso, incentivador e companheiro e tive uma mãe sublime e apaixonante que desejo encontrar quando estiver no Paraíso. Não tive filhos (pelo menos até o momento das elucubrações deste texto fúnebre). Mas a voz estridente misturada a um olhar sapeca e um sorriso contagiante me chamando de "Dindin Béeeeeeeeu" soou com a mesma delicadeza e olhar terno de um filho dizendo calmamente "mamãe". Eu deixo grandes amigos. Confesso aqui não ter sido a melhor de todos, mas tentei ser pelo menos a grande amiga para umas cinco pessoas. Ou talvez até para mais. Verei daqui do alto quantos sentirão saudades de mim. Por fim, não faltou dizer a quem deveria escutar o quanto eu o amei. Faltou, sim, viver este amor. Mas não pedi nada em troca. Não tive esse direito. O amor não se cobra. Achei apenas que o tempo fosse encaixar nossas vidas, mas a morte me levou mais cedo. Então, fica para próxima. Ao menos, está dito e de mim, verdadeiramente, sentido. Agradeço pelas lindas coroas, pelas preces e mensagens de carinho. Agora, só gostaria de fazer um último pedido: coloque minha matéria para descansar debaixo daquele flamboyant frondoso para que nem o que sobrar de mim pegue esse sol escaldante. Por favor, coveiro, pode fechar o caixão.

domingo, 20 de fevereiro de 2011

Os 7 anos no ponto de ônibus

A caminho de casa, esperando pelo mercedes que ia para o Nova Floresta, vi passar uma menininha de cabelo arrumado, gloss cor-de-rosa nos lábios e sandália dourada nos pés. Um senhor sentado no banco do ponto também acompanhava aquela menina com o mesmo olhar que eu quando, então, ela tirou do bolso do short um aparelho de celular apenas para ver as horas. A garota não passava dos 7 anos.

Rapidamente fui levada ao passado, aos meus 7 anos. Eu andava por aí, de cabelo desgrenhado, com os pés descalços, provavelmente com um short na cor azul que um dia fora do meu irmão mais velho e ainda passou pelo do meio e minha mãe só trocou o elástico ou pregou o botão que estava faltando, costurou as emendas e pronto. Estava novo. E o short certamente estaria cheio de carrapicho ou sujo de areia da pracinha do bairro. Do bolso, eu sacaria as minhas inseparáveis cinco-marias.

O velho ao lado olhou para mim e sorriu. Ele tinha acabado de ir à infância dele. No bolso de seu short? Talvez um saquinho de bolas de gude, um estilingue ou um pião.
E nós dois tínhamos o mesmo pensamento: não havia pressa aos 7 anos. Só voltávamos para casa quando a fome apertava.

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

A tal zona de conforto

O mês de janeiro foi uma surpresa para mim. Estaria de férias, mas acabei recebendo uma proposta para cobrir as férias de uma revisora em outra agência. Sorte grande, pensei, pois 2011 será um ano de muitas despesas e muitas alegrias! Aceitei sem pestanejar, e nem sabia o bem que isso iria me fazer ( só o financeiro, claro).

Quem me conhece sabe o quão sistemática eu sou, adoro uma boa rotina e só de pensar em sair dela, tenho calafrios... sério... comodismo puro, eu sei, mas nada tão grandioso que me impeça de trilhar novos rumos, quando necessário. Foi assim há 3 anos, quando deixei meu emprego de secretária para arriscar minha tão almejada carreira de revisora... formei-me em Letras e demorei quase 1 ano para conseguir uma oportunidade. Pedir demissão de um emprego quando seu pão e seu teto dependem dele não é fácil, mas há muito já me sentia infeliz exercendo uma profissão que não mais me acrescentava nada...então quando surgiu a chance de colocar em prática minha vida acadêmica, lá fui eu, morrendo de medo de dar errado, mas colocando toda a minha fé e esforço para que desse certo. E deu e continua dando. Amém.

Pois bem, em janeiro, senti algo muito parecido com isso. Nunca pensei que sair da minha zona de conforto me faria tão bem. E foi tão bom me sentir testada de novo, querer dar o máximo de mim trabalho após trabalho. Joguei meus medos fora, testei meus limites e tive a certeza de que posso fazer isso sempre que julgar necessário. Aprendi novas maneiras de revisar, conheci pessoas maravilhosas e, o melhor de tudo, senti-me reconhecida profissionalmente.

No meio da minha permanência na agência nova, pude matar as saudades de três amigas especiais. Três que fazem esse cincoetanto ser muitíssimo importante para mim. Apesar de bastante abandonado, este blog tem alma própria, o que essas mulheres colocam aqui tem uma verdade única, a verdade delas, a minha verdade, escrevemos como o coração e nos sentimos abraçadas com os comentários. Ju, Iza e Karine, mulheres com as quais aprendo sempre e entendo o que significa estar perto mesmo estando longe. Espero que este ano nossos encontros sejam mais frequentes e que sejamos sempre o que significamos uma para a outra: amizade, companheirismo e lealdade. Amo vocês.



Semana passada acabou meu período de substituição e voltei ao meu habitual trabalho, tive uma gostosa sensação de dever cumprido e de forças renovadas para enfrentar o novo ano! Quero que esse sentimento me acompanhe sempre.

Um beijo e até a próxima.

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Feliz Aniversário, Stephanie

Foi minha mãe quem deu a notícia que a casa ao lado teria novos moradores. Foi minha mãe também quem me disse que naquela casa uma menina da minha idade iria morar. Eu fiquei radiante com a ideia de ter uma nova amiga para brincar. As garotas da rua eram sempre mais velhas e entre a turma toda de meninos e meninas eu era a “copo de leite”.

Antes da sua chegada ficava o tempo todo imaginando como seria essa nova amiga. Será que ela é legal? Será que ela vai me emprestar seus brinquedos? Ela é loira ou morena? Bonita ou feia? Eu também desenhava a sua família em minha cabeça, planejava as brincadeiras, os aniversários de boneca e os passeios de bicicleta.

E ela apareceu. Não me lembro exatamente quando, mas ela apareceu. Loira. Loirinha, de bermuda cor de rosa, camiseta cor de rosa e pés descalços. No cabelo, uma maria-chiquinha que sempre escorregava, deixando o rabo-de-cavalo desajeitado. Jamais imaginaria que minha futura amiga tinha aquela imagem. E ela passou a ser o xodó da turma. Ela e seu irmão de cinco anos assumiram o posto de novos “copos de leite”. E eu me transformei em “copo de leite sênior” (uma promoção dada pelo líder da turma, meu irmão – que não era o mais velho do bando, mas sempre se destacava no grupo da rua).

Casas geminadas, jardins na entrada, mobília de mogno no quarto. Ela tinha um gato enorme de porcelana. Eu, um gato boêmio que encontrei na garagem da minha casa. Ela tinha uma coleção de disquinhos e historinhas que me encantavam. Minha barbie era loira. A dela era uma ruiva dos anos 70, de pantalona e tamanco, que mexia os ombros quando se apertava as costas. Ela tinha uma infinidade de móveis da barbie. Eu tinha alguns poucos, mas quando a gente juntava os brinquedos era uma tarde inteira de diversão.

Ela tinha a Moranguinho. Eu, a Uvinha. E nós duas tínhamos a Tetê. Uma boneca que tomava mamadeira e fazia xixi para a fralda ser trocada. Ela tinha uma máquina de escrever Olivetti amarela que eu era fascinada. Eu tinha uma bicicleta cor de rosa que ela andou antes de mim.

Ela tinha o Quadro Mágico e eu o Jogo da Vida. Nos pés descalços, a sujeira das aventuras nos terrenos baldios. E na minha testa, um galo e uma cicatriz por aquela aposta de corrida que estava vencendo e fui derrubada.

O primeiro cigarro foi experimentado juntamente com ela. E o primeiro porre... Deve ter sido com ela também (Eu não me lembro).

Na adolescência, os segredos. Os planos para ficar com aquele garoto que tinha um primo mais velho que dirigia. Nessa mesma adolescência, a separação. A distância de um muro baixo, que passou a ser de quatro casas deu lugar a uma distância de 450km e a convivência diária passou a ser curtida apenas nos feriados prolongados e nas férias. É que eu fui morar em Belo Horizonte e ela quis ficar no interior.

Mas não vou houve distância que nos separasse. Nem mesmo nos grandes acontecimentos. Quando eu perdi a minha mãe, ela estava lá, esperando por mim em minha casa. Ela e um abraço silencioso. Porque não cabia naquele momento nenhuma palavra, somente um abraço silencioso. E quando a tristeza era minha companhia, ela deitava na minha cama e só saía de lá quando eu melhorava.

Eu também estava lá em alguns momentos especiais. E isso está registrado! Fui madrinha de seu enlace e passei na fila dos cumprimentos pelos menos três vezes. É que a alegria era tão grande que a gente precisava se abraçar em silêncio a todo instante.

E foi debaixo do pé de jabuticaba lá de casa que fui uma das primeiras a saber que dali a nove meses chegaria para nossas vidas um lindo presente. Enzo! Que é seu filho e também um filho de coração para mim.

Então, naquele dia em que ela se mudou para minha rua, eu não ansiei a sua chegada à toa. Talvez eu já soubesse que ali chegava a minha melhor amiga. O tempo moldou essa amizade. As brigas e birras eram superadas assim que a próxima brincadeira começava. A saudade, constante companheira, temperou os momentos de reencontro com risadas e lembranças. É assim uma amizade sincera.

Naquele dia em que aquela loirinha de roupa cor-de-rosa, maria-chiquinha no cabelo e pés descalços foi morar na minha rua, eu ganhei a melhor amiga do mundo e a melhor irmã do mundo também.


segunda-feira, 25 de outubro de 2010

E daí?

E daí se minha pizza predileta é a de milho?
E daí se durmo de cobertor o ano inteiro?
E se para dormir eu precise de escuridão total e barulho?
E daí se a melancia me provoca dor de cabeça? Ela é minha fruta predileta!
E daí se uso calculadora para somar 13+9?
Se falo mal do meu chefe? Ele é um saco mesmo!

E daí de achar academia o ó?
De esquecer de pagar o IPTU?
E daí se como chocolate religiosamente depois do almoço?
Se não tenho religião, mas faço o sinal da cruz assim que me deito ou chego no trabalho?
E daí se eu não gostar de Sol?
E daí se eu não gostar do dia do meu aniversário?
De não ver graça no Natal e ter preguiça de viajar para o carnaval?
E daí se gosto de ver desfile e apuração de escola de samba?

E daí se leio revista de fofoca e se meu humor é sempre o mau humor?
Se meu bife tem que ser "bem tostado"?
E daí se não gosto da picanha do churrasco?
E daí se prefiro bijuteria a jóia?
Se não como manteiga e palmito?
E daí?

E daí se meu dia predileto é dia nublado?
E daí se nunca ganhei flores de namorado?
E daí se escrevo errado?
E daí???? Hein????
E daí?

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Drama canino




Sai do trabalho, passei no supermercado, no banco, na padaria e no posto de gasolina. Segui para casa, guardei as compras, coloquei a papelada em ordem, fiz continhas e mais continhas, dei uma lida rápida nas correspondências e recolhi as roupas do varal. Depois de todos os pequenos afazeres domésticos, tomei um banho demorado, coloquei o meu pijama mais confortável, catei um monte de travesseiros, dei uma passada rápida pela geladeira para pegar um todinho, apaguei as luzes e me joguei no sofá para ver o filme mais seção da tarde dos últimos tempos, que já estava reservado há mais de uma semana, “Ele não está tão a fim de você”.

Uma histeria repentina invadiu a sala. O estardalhaço foi tamanho, que o canudinho do todinho saiu pelos ares. Eis um drama familiar instalado. Um cachorrinho titico de vinte centímetros conseguiu passar por debaixo do portão. Acho que ele não imaginava que do outro lado esperava por ele um amigo-tipo-felícia-ansioso-por-companhia, de um metro e meio: Deco. Deco por causa do jogador luso-brasileiro, apesar de eu saber pouca coisa da cara dele até ele vir jogar no Fluminense. Mas, achei o nome sonoro, harmonioso e suave. Como o visitante não se apresentou vou chamá-lo de Figo, que é, em minha opinião, o segundo nome mais sonoro, harmonioso e suave para cachorro.

Surpreendido por Deco, o Figo gritava, mas gritava tanto, que custei a entender que ele era um cachorro. Deco rolava Figo no chão com tanto entusiasmo, que se colocasse areia diriam que eram dois amantes nas Dunas de Itaunas. Pareciam dois lutadores de sumô. Como o tempo passa. Voa! Num dia a gente é filho irresponsável, no outro, é responsável por duas vidas. Pensei: Ah, idolatrada lei do mais forte, o que eu vou fazer com um defunto no meu quintal. Mas não, o Deco só queria brincar com a ilustre visita. A ilustre visita não entendia, claro, e gritava como se estivesse sendo atacado por um urso polar em plena floresta Amazônica.

Corri atrás dos dois, batendo palmas e gritando "XÔ! XÔ!". Não deu certo. Tentei conversar numa boa com o intruso petulantezinho. Ofereci suquinho, leitinho, pãozinho, aguinha e o raio da criatura não parava de se esgoelar. “Não adianta gritar, que eu não sou surda!", a essa altura eu é quem estava berrando. Eu tinha que dar um jeito na situação.

Tentei a minha arma sempre poderosa nos momentos mais tensos com o Deco. A palavra chave é: comida! Sempre que digo comida! bem alto, ele para o que está fazendo e me olha atentamente. Funcionou da última vez, quando ele pegou duas notas de vinte reais que estavam sobre a mesa. Dessa vez, nada.

Desesperada, fui cercando os dois pelas beiradas num estilo zagueiro ou mineiro de ser. Quando estava prestes a me jogar pro outro lado do muro, fiz um drible, digno de Garrincha, entre Deco e Figo. (Com a maioria aqui é feminina, vou explicar bem o que seria isso: fingir que se vai fazer uma coisa e fazer outra. Fingir, por exemplo, que vai sair pela esquerda, e sair pela direita).

E não é que deu certo? Perpendicular à linha de fundo, fechando em diagonal, consegui segurar a coleira do Deco. Impressionante, minha prática. Parece até que fiz curso no Senac. Ele arregalou os olhos, e me olhou com uma cara espantada, do tipo 'não estou acreditando que essa maluca me separou do meu único amiguinho'. Figo me olhou meio desconfiado e vazou por debaixo do portão.

Tudo esclarecido, fui tomar outro banho. Tive que superar um drama familiar, perdi uma parte do filme, mas acho que a experiência, se não me fez crescer como ser humano, pelo menos amenizou meu lado desumano. Aprendi a ter mais respeito com o outro, mesmo que esse “outro” tenha apenas vinte centímetros de altura.

domingo, 26 de setembro de 2010

Cantos e Contos

Não tenho o que contar
Cantar um conto. Contar um canto.
Canto para esconder
O conto
O canto do quarto - um esconderijo.

Esconder o canto
Aquela melodia de encanto
O pranto
Um conto cantado.

Não tenho o que cantar
Só conto o tempo e faço conto
Cantador de contos.

Conto os cantos e os quantos.
Os cânticos dos contos
Os cantos do quarto - encontrados.
Encantada.

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Eu e minha magrela

A bike é meu meio de transporte oficial do trabalho para casa. É uma opção saudável, sustentável e, principalmente, econômica, o que contribui para eu estar sempre bem vestida e com o cabelo hidratado. Tenho uma relação carinhosa com elas como já disse aqui. Todos os dias, vou pra casa pedalando feliz, faceira e sem pressa. Cantamos juntas, rimos das coisas engraçadas que encontramos pelo caminho, trepidamos sobre as mesmas ruas esburacadas.

Do trabalho até minha casa deve dar uns três quilômetros, a maior parte de retas, bem diferente de Minas. Outro dia, estava eu bem peralta quase chegando em casa, quando um erro de cálculo me fez amargar um tombaçasso.

Na penúltima curva antes de casa, dei de cara com um grupinho de vacas (sim, vacas!), que provavelmente voltavam de um passeio, com seu guia bem atrás de moto (agora eles andam de moto e não mais de cavalo, como num quadro que tem lá na casa da minha tia). Logo depois da curva, tem um morrinho mínimo. Um mineiro diria mesmo que insignificante. Tentei frear, já que, não sei quem tem preferência, segundo as leis de trânsito, as vacas ou eu. Decidi não arriscar. Não esperava que a minha bike pudesse derrapar, mas ela derrapou e eu voei.

Vê só como a gente se engana nessa vida. Meu erro foi frear só com o freio dianteiro. Deveria ter usados os dois ao mesmo tempo, foi o que eu descobri depois (vai ser útil agora). Num piscar de olhos, a minha magrela, pobrezinha, tão indefesa e vulnerável voou pra um lado e eu pro outro. Fez um barulhinho assim “plaft”, quando eu me choquei com uma coisa dura, que graças a Deus não era uma vaca. Era um barranco.

Se alguém viu, além do guia das vacas, não vi. Ele seguiu, elas pararam por um minuto, sensíveis, e depois correram, coitadas. Vacas têm coração, cês tão pensando o quê. Nossa, há quanto tempo eu não tomava um tombaço desses cinematográficos. O último que lembro, eu devia ter uns 12 anos, e me deixou uma cicatriz enorme no braço direito, perto do cotovelo. E ali sem ter ninguém por perto que pudesse me acudir (tá bom, exagerei!).

Mas, depois que limpei a poeira da roupa e, o mais rápido que pude, subi na bike e desapareci, deu uma sensação boa, como quem acabasse de fazer uma travessura. Saímos assim, morrendo de rir as duas.

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

Confrarias de Mulheres cervejeiras!



Hoje, passeando por um blog do qual gosto muito, Casos e Coisas da Bonfa, descobri que existe uma Confraria de mulheres que fabricam sua própria cerveja e têm um conhecimento enormeeeeee sobre tudo relacionado ao imenso prazer, do qual compartilho, de degustar cervas! O nome desse grupo de 6 mulheres é FemaAle Carioca, o link do blog delas está aqui, vale a pena entrar e saber mais sobre essa empreitada. E não é que pelo blog das FemAle fiquei sabendo que as pioneiras nessa arte são nada mais, nada menos que mineiras??!! Eu, uma belorizontina nata, adoradora do movimento de levantamento de copos, não tinha conhecimento de que existia uma Confraria Feminina de Cerveja aqui em BH, e que é a primeira nessa categoria no Brasil! O blog da Confece também é muito legal, sem contar que é ótimo mergulhar no conhecimento delas sobre os estudos e degustações dos mais variados tipos de cerveja. Fiquei superorgulhosa dessas mineiras pioneiras e talentosas e, no final das contas, além de ficar doida de vontade de experimentar várias cervejas, me deu também uma pontinha de anseio de aprender a fabricar essas delícias!

Afinal, como disse uma das integrantes da FemAle: “ninguém faz amigos tomando leite”. Concordo!



Bora tomar uma geladinha?

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

Tripla jornada

Já repararam como as pessoas acreditam que repetir por aí que levam uma vida difícil, sempre ocupada, emana respeito? Sofrer de estresse com o trabalho faz com que elas se sintam mais importantes, dignas mesmo da admiração dos outros.

Parece que todos estão condicionados a encontrar uma razão que justifique toda e qualquer ação. Fazer algo por simples prazer é quase um crime, uma insanidade. Se caminham, é para suar e fortificar os músculos, pra perder calorias. O happy hour é pra fazer networking. Sinal vermelho, pra escutar audiobooks. Final de semana, pra colocar o trabalho em dia.

O trabalho não é um valor absoluto. Muito menos em excesso. Ficar repetindo isso então, a torto e a direito, queném uma nossa senhora desesperada, só faz o sujeito parecer inseguro.

Quer saber?! Tripla jornada, pra mim, é coisa do Bernard do vôlei. Cês pensam que eu tô ironizando? Tô falando sério! Eu me permito não fazer nada, de vez em quando, desculpa aí! Dar uma volta a pé para refrescar a cabeça. Ficar deitada olhando pro teto, pensando no que poderia fazer para otimizar a total liberdade de não fazer nada, é um direito que eu me dou, mesmo que isso possa parecer uma heresia. E digo mais: adoro um sinal vermelho! Vou até diminuindo a velocidade quando percebo que ele está amarelando. E não é pra prestar mais atenção no audiobook, mas pra ter um tempinho ali parada, só pra mim, sem fazer nadica de nada.

Adoro teorias conspiratórias e se quisesse defender a hipótese aqui diria que, a necessidade de impor o trabalho duro como um valor absoluto reflete outros interesses. Se o cara trabalha até 14 horas por dia e ainda fica feliz com o “sucesso” que está fazendo, mais feliz fica o dono da empresa. Mas não vou entrar aqui no mérito da questão.

O ritual diário de sair correndo, ficar engarrafada, correr risco de ser assaltada, de morrer atropelada e passar o dia ereta na frente do computador, pode fazer parte da minha realização. Mas, se eu quisesse e meu dinheiro desse, eu ficaria em casa, lendo dezenas de livros com as pernocas pro ar e me realizaria plenamente com isso. Ócio não é sinônimo de tédio, não senhor.

Olha lá hein, não tô aqui fazendo apologia a vagabundagem. Não vá pegar meu texto e sair correndo por aí, pra justificar sua falta ao trabalho. Claro, que não tem nada de errado em alguém se realizar por meio do trabalho. Eu até gosto. Quero dizer apenas, que não é só através do trabalho que o homem pode se realizar e que é muito chato esse nhenhenhém de “ó vida, ó azar, quanto trabalho! Não tenho tempo pra nada nessa vida! Olha como eu sou ocupado e estressadinho...” Ninguém te admira por isso, só acham você um mala! Ah, e na maioria das vezes, sabem que você tá exagerando um tiquim, ó, falei!

domingo, 8 de agosto de 2010

Eu odeio Gisele

Eu odeio a Gisele Bündchen! Não. Pera aí. Não odeio a pessoa Gisele. Não posso falar isso de uma uma pessoa que não conheço pessoalmente. Eu a acho linda, diferente. A estrela dela brilha mais que o Sol, né?
Isso é para poucos. Bem sucedida, milionária, casada com um gato, mãe de um filho fofíssimo e referência no mundo da moda. Além disso, é capaz de entrar num jeans 38 dois meses após o nascimento do filho.

O que eu odeio é o padrão "Gisele". Reparou que as roupas têm diminuido de tamanho? É fato! Tempo atrás eu achei uma calça velha no meu armário da casa do meu pai. A long time ago eu vestia 38, gente!!!!! Juro! Então, eu trouxe esse jeans para BH e comparei com as calças de mesmo número da minha prima (ela é deve ser parente da Gisele!) e percebi que a medida dass calças e o formato eram bem diferentes. A 38 de hoje é beeeeem mais justa, bem menor.

As lojas resolveram entrar na onda. Tamanho G é "G" de Gisele. O padrão de beleza mudou. Todo mundo tem que vestir calça 38, camisa P (pra não falar no tal tamanho único), ter peitão siliconado para eles ficarem inchados, subindo a camiseta para mostrar a barriguinha sarada e, se bobear, aparecer aquele piercing horroroso no biguiú.

Não concordo. Brasileiras são mulheres reais. E a realidade aceita peito normal, quadril largo ou sem quadril, pernas grossas ou de sabiá, dobra na barriguinha quando se senta, celulite e estria.
Não existe nada mais feminino do que uma celulite, gente!

Mulheres reais são aquelas que tem desejo de comer massa, tomar um sorvete de creme com calda de chocolate, bater um copão de refrigerante SEM CULPA!
Alguém pode me dizer se algum dia teve desejo de comer um prato de alface? Ou uma salada de rúcula, tomate e chicória? Você reune seus amigos para comer uma alfafa? Uma cenoura assada na brasa?

Espero que as lojas e as indústrias têxteis confeccionem roupas de padrões democráticos, remarquem as numerações de acordo com a cintura e o quadril das mulheres possíveis.
E torço para que essa moda não se estenda aos acessórios e sapatos. Se chegar, vou cruzar os dedos para a Gisele Bündchen calçar 38.

sexta-feira, 23 de julho de 2010

Puro devaneio

Eu não sou de grandes planos e idealizações porque sempre tive os pés no chão quanto a grandes expectativas. Por causa disso, sou de planos possíveis e de curto prazo. Isso não quer dizer que não tenha grandes sonhos. Não desejos veementes ou aspirações, mas devaneios, quimera. Um deles é escrever um grande romance.

Já sei a dedicatória e como eu começaria a escrever o livro. Um romance mineiro. Tenho a história e os personagens. Eu teria que ser muito boa para contá-la com a força que ela tem, uma historinha tão simples.

Eu poderia até adiantar a história aqui. Posso? Vou contá-la, ainda que sem o tratamento que ela teria no meu fantástico romance sonhado. Seria um pedacinho apenas. Tudo isto eu botaria no livro, com muita literatura, podem acreditar. Deixa ver se a conto em algumas linhas...

É na adolescência, de alma descuidada e coração vadio, que eles se conhecem. Tudo é um vir-a-ser. Vida, profissão, amor, família, tudo é futuro. Cotidianamente, ele a segue com olhos atentos, até que ela chegue ao portão de casa. Ela, tímida, até gosta, mas se faz de desentendida.

A possibilidade de ele vir falar com ela, a faz estremecer desde a ponta dos seus pés. São tantas as tentativas que, um dia, ela se permite encontrar os olhos dele. Isso é o suficiente. Um sussurro percorre seu corpo inteiro. É uma inauguração em seu corpo, em seus sentidos, em sua alma.

Um dia, meias frases, meio diálogos, sem pontos finais. Acontecimentos pelo meio e eles ficam pelo meio. E, não é que vivem no passado, é o passado que está neles. Desde então, porém, a pergunta a persegue: como se lida com o reverso do amor?

Ela espera que ele diga “largue tudo e venha comigo”. Ele não diz e assim ela segue a estrada mais difícil, menos usada e isso faz toda a diferença. Ele passa, às vezes, pelo mesmo portão e talvez se lembre dela. A estrada que não tomaram continua ali. O passado molda o dia de hoje, mas não o determina inteiramente, não o impede e, sobretudo, não o substitui.

O tempo passa e como o amor desdenha das situações preparadas para o amor, mas não despreza o acaso, há sim um último encontro, para provar que, assim como, aos 30 anos não se pode recuperar uma paixão da adolescência, Tom e Chico estavam certos, quando falaram do quanto é “desconcertante rever o grande amor”.

quarta-feira, 14 de julho de 2010

Gostaria de dizer...

Gostaria de dizer que ando por aí despreocupada, que deixo a bolsa na cadeira ou em cima do balcão. Gostaria de dizer que os pobres herdarão o reino dos céus e que os juros vão cair. Gostaria de dizer que príncipes encantados existem, que chocolate não engorda e que a dívida externa foi perdoada.

Gostaria de dizer que não estou arrependida do voto que dei na última eleição, aliás, dizer que nunca me arrependi, que sempre votei certo. Gostaria de dizer que a unha não vai quebrar, o ônibus não vai atrasar e a meia calça não vai rasgar.

Gostaria de dizer que Deus ajuda quem cedo madruga. Gostaria de dizer que ética tem valido mais que estética e que reina em nosso país juízes justos e políticos íntegros. Por fim, gostaria de dizer que o compadrio não leva vantagem sobre o mais competente e que o jogo de influências não derrota o aplicado.

quinta-feira, 8 de julho de 2010

10 anos

Izabella,
que a fé more sempre em seu coração,
a justiça guie o seu espírito,
a bondade seja sempre o perfume de sua alma
e o perdão seja sempre a flor mais bela de seus pensamentos.
Magda
*Escrito no meu diário de Hello Kitty, em 10/12/1991, numa página qualquer para que fosse achado a qualquer momento.


Eu não conheci minha avó. Ela se foi antes mesmo de se tornar uma. Foi precocemente no inverno de 1968.

Minha mãe também partiu em um inverno, no dia de 10 de julho de 2000, carregando o mesmo legado de sua mãe. Mas antes mesmo de ser avó, faltou-lhe o tempo de continuar a ser mãe. Minha mãe.

Quando pequena, eu era como qualquer criança: dependente de todo o cuidado materno. Aos poucos, dando os primeiros passos, as primeiras quedas fui ganhando independência e, ao mesmo tempo, personalidade. Mas ela estava lá, assistindo todo o meu caminho.

Na adolescência, como todo "quase adulto", achei que esse negócio de ser mãe era chatice pura e por diversas vezes entortei o nariz para seus conselhos. Mas ela estava lá, insistindo em seus avisos e me esperando de braços abertos para caminharmos juntas.

E foi exatamente no intervalo entre a adolescência e a vida adulta que ela se foi. Eu tinha 18 anos. Exatamente na época em que se descobre que a adolescência não é eterna e que começam a surgir os desafios da vida. Foi exatamente aí que eu procurei a sua mão, o seu olhar dizendo "coragem" e não os encontrei.

Eu me lembro de uma mãe de postura firme, que me ensinava a seguir em frente, a lutar e ter fé. Eu me lembo de uma mãe zelosa e amável que me ensinou princípios e virtudes para levar comigo. Mas naquele dia, nenhuma lembrança se fez maior que o tamanho de sua ausência.

Ausência que tem cheiro, que tem voz. Ausência que caminha ao meu lado há 10 anos. Às vezes em ritmo acelerado, forçando-me a tomar fôlego ou a parar um pouco, exaurida de saudade.

Engana-se quem pensa que o tempo faz esquecer as pessoas. Ao contrário, o tempo tratou de guardar minha mãe em mim. Ela nasce em mim todos os dias e eu sou ela sempre. E sempre busco um pouco dela nas pessoas e nas coisas que me cercam e dou um pouco dela para as coisas e as pessoas que me cercam.

E assim, sob olhar eterno, minha mãe continua a assistir meu caminho e a caminhar comigo.

Eu não carrego o legado de não ser avó. Isso foi um mero acaso. Não estou fadada a este destino. O meu legado é continuar a viver esse amor. É procriar esse sentimento e mostrar para todos e para mim mesma que, mesmo desfrutando tão pouco da dádiva de ser mãe, ela foi a melhor do mundo.

segunda-feira, 28 de junho de 2010

O 1º bolo de maçã a gente nunca esquece!



De uns tempos para cá tenho sentido uma enorme vontade de aprender a cozinhar. Acho que isso é meio que um dom e como não o tenho estou forçando a barra para pelo menos tentar exercer essa minha parte mulherzinha de forma razoável. Tenho visitado uns blogs de culinária e alguns deles são inspiradores, além da beleza das fotos e do capricho de suas donas, a forma como elas nos encorajam a testar as receitas é contagiante! Já salvei várias receitas, comprei alguns ingredientes que ainda não usei e espero cada vez mais aprimorar a minha falta de jeito. Só sei que quando no final tudo dá certo, dá uma imensa alegria de realização.

A receita do meu primeiro bolo de maçã eu tirei do blog chocolatria, desse post aqui, esse blog é uma delícia, dá água na boca e realmente adoça a vida! O preparo é bem simples e o cheirinho da maçã assando junto com a canela é delicioso.

Bolo de maçã
Ingredientes:
1 1/3 xícaras de óleo vegetal
3 xícaras de farinha de trigo
1 colher de sopa de canela em pó
1 colher de chá de bicarbonato de sódio ( eu não tinha em casa, então substitui por uma colher de chá bem rasa de fermento em pó )
1 colher de chá de sal
2 xícaras de açúcar
3 ovos
4 maçãs -usei a Gala- descascadas, sem sementes e cortadas em cubinhos. ( Eu usei 3 maçãs grandes e achei o suficiente )
1 xícara de nozes picadas grosseiramente ( eu não tinha nozes, então usei castanhas de caju que eu já tinha comprado previamente trituradas )
Modo de Fazer:
Pré-aqueça o forno a 180oC.
No bowl da batedeira, junte os ovos, o óleo e o açúcar. Em um outro recipiente, misture a farinha, o bicarbonato, o sal e a canela polvilhados.
Bata a mistura de ovos até obter um amarelo claro. Agregue a mistura de secos e bata o suficiente para envolver.
Retire da batedeira e adicione as nozes e as maçãs picadas. Divida a mistura nas assadeiras previamente untadas com manteiga e polvilhadas com farinha de trigo, deixando um dedo de borda.
Leve para assar por cerca de 45 minutos -faça o teste do palito- rotacionando a forma no meio do tempo.


Ficou muito bom! Se alguém se animar de testar a receita, me conta depois como foi!
Boa semana e bom jogo do Brasil pra nós hoje!!

sexta-feira, 18 de junho de 2010

Ao gênio, com carinho.



"Acho que todos nós devemos repensar o que andamos aqui a fazer. Bom é que nos divirtamos, que vamos à praia, à festa, ao futebol, esta vida são dois dias, quem vier atrás que feche a porta – mas se não nos decidirmos a olhar o mundo gravemente, com olhos severos e avaliadores, o mais certo é termos apenas um dia para viver, o mais certo é deixarmos a porta aberta para um vazio infinito de morte, escuridão e malogro".

SARAMAGO,José.“Cada vez mais sós”, in Deste Mundo e do Outro, Ed. Caminho, 7.ª ed., p. 216



Difícil entender do que é feita a cabeça dos gênios. Mas há uma semelhança entre eles: a capacidade de ver sempre além, de enxergar o que algumas pessoas nunca verão, de entender que a vida nunca será explicada. Todos os meus escritores favoritos são vanguardistas, são meio loucos, não são politicamente corretos, são contestadores, realistas e, aí está a pitada mágica da genialidade, mesmo assim conseguem arrebatar a alma de quem os lê.

Saramago já estava no hall da imortalidade mesmo estando vivo, seus livros dizem tanto e abrem tanto a mente das pessoas que chega a doer. Aliás, a dor da melancolia portuguesa que ele ajudou a transformar em universal aliada à visão extraordinária de uma mente genial capaz de colocar no papel algo que mude a forma de pessoas enxergarem a vida é só uma das características desse escritor, jornalista, dramaturgo e poeta.

Perdoem-me a repetição de características, mas gênios não morrem todos os dias. O que Saramago fez pela literatura mundial e pelas pessoas que transformou já está imortalizado.

Apesar de saber que sua obra jamais deixará de ser ter o peso de sua genialidade, hoje o dia amanheceu mais triste. Não digo adeus nem até logo, digo que ele sempre fará parte de quem o lê porque ninguém permanece o mesmo após passar por Saramago.

quinta-feira, 17 de junho de 2010

Eu não sou do uhu!

Você acorda cedo no domingo sem muitos planos para o dia. Fica na cama pensando no que poderia fazer para otimizar a sua total liberdade de não fazer nada. O telefone toca. É um amigo convidando para um churrasco. Uhu!, você pula da cama animadíssima! Hoje é dia de comer tarde, ter no prato uma carne mal cortada e fora do ponto e beber cerveja quente. Não, obrigada, você diz. Do lado de lá, cogitam, o que te faz ser menos feliz que eles.

Ok, eu sei que um churrasco pode ser divertido, motivo para encontrar amigos, bater um bom papo. E esse é só um exemplo. Às vezes, eu gosto muito. Mas, às vezes, não. E não me convencem armadilhas emocionais politicamente corretas que te fazem crer que essas são obrigações sociais que você deve cumprir para... ser feliz.

Sinto nas pessoas uma certa obrigação de ser feliz. Uhu! é o lema. O mundo anda barulhento demais. Uma espécie de euforia compelida... quase uma histeria coletiva... que vai crescendo... e fica difícil prestar atenção em alguma coisa... fica difícil prestar atenção nas pessoas... Faz-se mais e sente-se menos.

Eu não sou do uhu!, não sou de matilha, nem de fazer “a social” e me entedio com todo-mundo-junto-o-tempo-todo. Mas entenda, não estou abatida, nem deprimida, não maltrato criancinhas, dou passagem na faixa de pedestres e cuido muito bem das minhas plantinhas.

Desculpem, é piegas, eu sei; mas não acho termo menos clichê para dizer exatamente isso: "triste é quem tem obrigação de ser feliz".

sexta-feira, 11 de junho de 2010

Prefira o ogro

Mesmo num mundo com menos preconceito, muitos homens ainda não saíram do escurinho do armário. Mas tem um tipo de homem, que me deparo sempre e cada dia mais: ele é heterossexual convicto, nada gay, mas detesta mulher. Em vez de desejar a mulher, ele deseja a si mesmo, o que reflete na retina feminina.

Sabe que precisa de uma mulher, e até gosta de desfilar com aquela que ele considera privilegiada, mas pouco se importa com as emoções dela. É o cara que trata a mulher que o acompanha com desdém, até que apareça uma amiga dela ou dele. Aí ele se acende como se fosse árvore de Natal na Lagoa da Pampulha. Quer mesmo é fazer a social e depois correr para contar seus feitos para os amigos.

É monotemático na conversa. Só fala de carro. Só fala de golfe. Só fala de trabalho. Só fala dele. Ama um espelho. Aposta no físico perfeito, mas é emocionalmente um banana. Coloca-se como porta-voz , interrompe e fala pela mulher, mesmo quando o assunto são os projetos dela.

Ele curte sair com os camaradas, comentar a boa forma do Paulão, vai religiosamente à academia, mas nunca leu uma lauda. Lá no fundo, ele acredita que há um lugar muito especial, superior, reservado aos homens, e que as mulheres, nessa escalada evolutiva, estão lutando contra a própria natureza.

Fujam desse tipo. Ele é o príncipe encantado do Sherek. Prefira o ogro.

quinta-feira, 3 de junho de 2010

Eu te amo!


Eu nunca disse o quanto amei você. Ao contrário, fiquei calada e por vezes espanei o que estava sentindo. Medo de admitir que aquele amor era maior que eu e não cabia aqui dentro.

Eu também nunca disse o quanto desejei você. Os sonhos de uma vida ou de um amor adolescente. Ao contrário, fiquei em silêncio, sem esgostar todas as possibilidades de uma paixão para a vida toda, guardando sentimentos que deveriam ser vividos juntos, construídos juntos. Firmando e reafirmando as certezas de seguir em frente.

Eu pensava que o silêncio fosse dizer tudo o que sentia, de maneira delicada, sutil. Eu pensava que o silêncio, como um sopro, pudesse encurtar o tempo e trazer você de volta.

Preciso aprender a dizer.

"E hoje em dia, como é que se diz eu te amo?"